Solteiros convictos na mira do mercado

Aumenta o número de pessoas que vivem sozinhas e as oportunidades para o mercado

A cada ano aumenta o número de pessoas que moram sozinhas. Uma recente pesquisa do IBGE detectou que 10% dos 56 milhões de domicílios brasileiros são habitados por uma única pessoa, ou seja, são mais de cinco milhões de pessoas morando sozinhas no Brasil.

O número de homens e mulheres que vivem sós são praticamente iguais (49,6% de homens e 50,4% de mulheres). Essa tendência não é reflexo apenas do número de jovens que moram sozinhos por conta de estudos e empregos em outras cidades. Das cerca de 5,6 milhões de “famílias uni pessoais”, como diz o jargão do IBGE, mais de 87% estão na faixa etária acima dos 30 anos, ou seja, a maioria se encontra na faixa economicamente ativa, com maior poder de compra.

Há vários motivos que explicam o constante aumento dessa tendência comportamental e mercadológica. Formar um filho tem se tornado cada vez mais caro, o que fez com que as famílias reduzissem muito o número de crianças. Quando a criança chega à fase adulta, há muitos casais que acabam se separando, visto que muitas relações são mantidas apenas por causa dos filhos. Além disso, o perfil do casamento mudou, já que a mulher adquiriu sua independência financeira e não mais depende do marido para sua sobrevivência. O movimento gay também ajudou a desencadear o aumento das pessoas que vivem sozinhas, pois a liberdade de se assumir fez com que muitos gays abandonassem a idéia de um casamento heterossexual para manter as aparências. Assim, as relações deixaram de ser dependentes para se tornarem emocionais.

Contudo, mesmo com esse grande mercado em potencial, ainda é restrito o número de serviços oferecidos para os solitários. Essas pessoas têm demandas e formas próprias de consumo de bens e serviços. Na questão da alimentação, uma das principais reclamações é que a comida que está na geladeira sempre acaba estragando. Há poucas redes que oferecem produtos em pequenas quantidades. Por exemplo, tem gente que deixa de pedir pizza porque é muito grande e acaba sobrando em excesso.

Outra mudança é a questão da moradia. As pessoas que vivem sozinhas geralmente buscam praticidade e sofisticação. De acordo com André Neuding Filho, sócio diretor da Stan, empresa de desenvolvimento imobiliário que trouxe o conceito de loft para o Brasil, as pessoas adotaram esse tipo de moradia pela praticidade e multifuncionalidade que oferecem. “Nossos projetos unem arte, arquitetura e modernidade, conceitos que estão na cabeça das pessoas do século XXI, que desejam um imóvel que sintetize sua ascensão profissional ou pessoal”, afirma.

A Stan trouxe o conceito de loft para o Brasil no final dos anos 90 como opção inovadora de moradia. O aumento dos empreendimentos que envolvem espaços integrados também pode ser explicado pelo fato de o morador se sentir livre para interferir no local de acordo com suas necessidades. Como o espaço é versátil, a pessoa tem a opção de deixar os cômodos expostos ou isolar certas áreas com divisórias.

Se na questão da moradia o mercado já abriu os olhos para esse nicho em ascensão, a indústria do entretenimento parece não ter feito o mesmo. A solidão é uma das principais queixas de quem mora sozinho e parece que o mercado ainda não encontrou um serviço que possa amenizar esse sentimento. Outra surpresa é que esse público gostaria de contar com um serviço que vá além do que uma emprega doméstica geralmente oferece. Essas pessoas gostariam de encontrar quem pudesse pagar contas e realizar compras de supermercado, mas é difícil de encontrar alguém para realizar esse tipo de serviço. Enfim, há uma série de oportunidades que o mercado pode explorar para esse crescente número de pessoas que optam por morarem sozinhas.

Stan/UNO

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