Joinville – Em 26 de junho, comemora-se o Dia Internacional de Combate às Drogas. O aumento do uso de drogas tem causado reflexos que se comprovam nos casos de criminalidade, violência domiciliar, acidentes de trânsito e trabalho.
Estima-se que as dependências de álcool e outras drogas (exceto tabaco), atingem cerca de 6% da população mundial.
Apesar do preocupante avanço no número de usuários de "crack" no país, cerca de 1,2 milhão de pessoas, conforme levantamento do Ministério da Saúde, “o álcool continua sendo ainda a droga mais utilizada", informa a
coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas (Caps Ad) da Secretaria da Saúde de Joinville, Lisete Maria Borba.
Os Caps ADs foram instituídos pela Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde como modelos de assistência a pacientes com transtornos decorrentes do uso nocivo/abusivo e dependência de substâncias psicoativas.
As modalidades de atendimento são classificadas como intensivas, semi-intensivas e não intensivas conforme o projeto terapêutico de cada usuário. O serviço oferece atividades terapêuticas em forma de oficinas, grupos e atendimentos individuais e conforme a necessidade dos pacientes são realizadas visitas domiciliares.
Pesquisas comprovam, explica Lisete, que o tratamento de longa permanência em ambientes fechados não são eficazes. "O Caps AD entra como um dispositivo de tratamento aberto, podendo o usuário ao final do dia retornar para o seu convívio familiar e social."
Além de realizar o tratamento, o Caps Ad entende que o cuidado do usuário deve ser o mais próximo da rede familiar, social e cultural, para haver a reinserção no mercado de trabalho e na sociedade e também sua recuperação integral. O foco do serviço não é a abstinência como meta inicial. Pelo serviço seguir as diretrizes da Redução de Danos do Ministério da Saúde, o
principal objetivo é reduzir os danos e prejuízos que o uso da substância pode trazer à vida do usuário.
Para a coordenadora, a maior dificuldade do usuário é aderir ao tratamento. "Muitos usuários negam que precisam de ajuda, acham que estão bem, pois não percebem os prejuízos provocados pelo uso da substância e, ao perceberem que não conseguem largar o vício sozinhos, eles buscam ajuda do serviço”. Nas situações que o usuário desaparece do serviço,principalmente em episódios de recaída, o Caps Ad faz uma busca ativa, como forma de fortalecer o vínculo e dar continuidade ao tratamento.
A intervenção hospitalar só acontece nos casos de intoxicação aguda e de Síndrome da Abstinência Alcóolica (SAA). O tempo de permanência, continua Lisete, "será de 24 à 48 horas nos casos de intoxicação aguda e na Síndrome da Abstinência Alcóolica (SAA), de três a sete dias, acompanhado pelo serviço hospitalar, por se tratar de uma situação mais grave."
No município, o Caps Ad funciona desde 2002 e só no ano passado 1.170 usuários passaram pela unidade. O usuário de álcool e outras drogas pode ser acolhido para triagem pelo serviço todos os dias das 07h às 17h, de segunda a sexta-feira. Segundo Lisete, é fundamental a espontaneidade do usuário para que o tratamento tenha efetividade.
Assessoria de Imprensa
