Ritalina requer cuidados: Coração Acelerado e Pressão Alta

A Ritalina é composta de Metilfenidato e pode ter efeitos perigosos sendo os principais dificuldade de respirar, pressão arterial muito elevada e batimento cardíaco acelerado; dor no peito.

Itajaí – Um estudo recente publicado pelo Journal of Pediatrics avaliou a segurança do uso do Metilfenidato, também conhecida por Ritalina, entre mais de 100 adolescentes com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O estudo revelou que a medicação pode provocar um discreto aumento da frequência cardíaca e pressão alta, especialmente nos primeiros seis meses do tratamento, sem alterações significativas ao eletrocardiograma.

De forma geral, essas substâncias exercem efeitos estimulantes no sistema nervoso central por aumentar os níveis de noradrenalina e dopamina no córtex pré-frontal e estimula receptores adrenérgico no coração e nos vasos sanguíneos levando a aumento da rigidez arterial, vasoconstrição, aumento dos batimentos (coração acelerado) e da pressão alta.

Uma metanálise de 10 estudos clínicos mostrou um aumento médio de 5,7 batimentos por minuto da frequência cardíaca e uma elevação de 2 mmHg na pressão arterial. Por exemplo, o uso do metilfenidato tem sido associado a um aumento de 4 vezes na chance de um adulto normotenso de desenvolver pré-hipertensão.

Dentre os inúmeros efeitos colaterais que uma medicação pode causar, os efeitos sobre o coração estão entre os mais temidos. Esse estudo nos traz ainda mais segurança no uso do metilfenidato, já que não foram observados eventos cardíacos sérios, mesmo em doses altas.

Entretanto, os resultados chamam a atenção para que a medicação seja usada com cuidado redobrado em pacientes hipertensos, ou naqueles com condições clínicas em que o aumento da pressão arterial ou da freqüência cardíaca sejam indesejáveis.

O que propor então para o meu paciente com o diagnóstico de TDAH que de repente se apresenta com episódios de palpitações, ou hipertensão de mais difícil controle ou nova, ou sintomas de insuficiência cardíaca?

Além do natural diagnóstico diferencial e da confirmação posterior que essas alterações podem estar relacionadas com as medicações, a parceria com o médico assistente que está conduzindo o caso é fundamental, para se propor redução das doses ou mesmo a suspensão dos estimulantes e reforço nas terapias adjuvantes atualmente propostas no tratamento do TDAH, como programa de exercícios físicos.

A Ritalina (Metilfenidato) é uma medicação frequentemente usada no tratamento do TDAH, mas tem sido utilizada também para outros transtornos neuropsiquiátricos, e até mesmo por pessoas sem problemas de saúde e que só querem “turbinar o cérebro”, ou seja, para aumentar o desempenho cognitivo.

Ainda não se conhece bem ao certo os riscos e benefícios dessa medicação quando usadas por pessoas sem o diagnóstico de TDAH e o presente estudo serve de alerta para os aventureiros que ainda usam medicações sem indicação médica. Serve também para tranqüilizar aqueles que realmente precisam usar a medicação.

Dr. Ricardo Teixeira é Doutor em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog “ConsCiência no Dia-a-Dia” www.consciencianodiaadia.com e consultor do Grupo Athena.

Ai/UNO

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