Tubarão – Uma mostra que será aberta neste sábado (06), às 20 horas, no Centro Municipal de Cultura (CMC), traz ao público de Tubarão e região lembranças de uma era obscura da humanidade. A exposição de instrumentos de tortura da era medieval é um retrato vivo do que a intolerância e a violência são capazes de produzir, quando os homens se deixam levar pela tirania.
A mostra internacional que permanecerá em Tubarão por cerca de três semanas com apoio da secretaria Municipal de Cultura Esporte e Turismo e da “Associazione Ricercatori Storici d'Italia”, nasceu de uma longa e meticulosa pesquisa histórica, científica e sociológica e começou a ser exposta em várias cidades italianas em 1985. A partir de 1994 ultrapassou as fronteiras italianas e passou por vários outros países europeus (França, Espanha, Alemanha, Áustria e Polônia), contabilizando em total dois milhões e 78 mil visitantes, até chegar à América do Sul em 1996, trazida pelo historiador Franco Gentili, que fora professor de História Medieval na Università di Parma e autor de vários livros sobre esse assunto (o livro "Tortura – instrumentos medievais", traduzido para o português, chegou à 16ª edição).
No Brasil, a mostra já passou por varias cidades (19 no Rio Grande do Sul, 20 em Santa Catarina, 12 no Paraná, 35 no Estado de São Paulo, seis no Mato Grosso do Sul), contabilizando aproximadamente um milhão e cinquenta mil visitantes, dos quais um número expressivo é composto por estudantes de escolas públicas e particulares.
Não é uma mostra do horror, na qual é simplesmente evidenciada a violência do homem sobre o homem; é uma exposição que representa um pedaço da história da humanidade em que são exibidas peças autênticas usadas pela Inquisição desde 1200 d.C. Por exemplo, a "Cadeira de Inquisição" foi um instrumento essencial do inquisidor da Europa Central; foi usada até 1846, especialmente em Nuremberg durante os regulares interrogatórios dos processos. O réu devia sentar-se nu e, ao mínimo movimento, as agulhas penetravam no corpo provocando efeitos atrozes.
Outra peça de notável valor é a "Virgem de Nuremberg", o primeiro exemplo de mecânica aplicada à tortura, usada na Alemanha a partir de 1515. Calcula-se que 50 milhões de pessoas foram torturadas através dos séculos e, mesmo com as inúmeras condenações e documentos sobre os direitos dos homens, ainda hoje é praticada, inclusive nos países mais desenvolvidos.
A mostra poderá ser conferida no CMC, de segunda à sexta-feira, das 8 às 17 horas. O valor da entrada será de R$ 6.00 (público geral) R$ 3.00 (estudantes e idosos) e R$ 2.00 (estudantes em grupo com professor). A visitação de grupos de estudantes deve ser agendada no CMC ou pelo telefone (48) 3621-9083.
AI/Redação 24 Horas
