Greve nos aeroportos brasileiros

por Alexei Lazarev

Hoje mais uma vez vou abordar o tema de ações sociais. Agora sob o ponto de vista da greve dos funcionários de aeroportos brasileiros, declarada desde a meia-noite de 31 de julho.

A imprensa brasileira informou: “O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) iniciou à 0h desta quarta-feira uma greve nacional em todos os 63 aeroportos administrados pela Infraero (ou seja, o movimento não ocorrerá em Guarulhos, Campinas e Brasília). Diante da ameaça do sindicato, a estatal entrou com pedido de liminar no Tribunal Superior do Trabalho, para obrigar a entidade a manter 100% do efetivo nas atividades essenciais. No entanto, não será atendida imediatamente.” Os grevistas informaram que o aeroporto mais afetado será o de Congonhas que, além de outras linhas, faz serviços para a ponte aérea entre o Rio e São Paulo. O Sindicato Nacional de Aeroportiários representa 13,6 mil funcionários da Infraero.

A empresa recebeu orientações do governo a se precaver a fim de evitar prejuízos aos passageiros e gerar atrasos e cancelamentos de voos em todo o país. Em caso de surgimento de problemas, o Sindicato será multado.

A Infraero informou por meio de nota que tem um plano de contingência preparado para a greve dos aeroportuários.
Disse também que, caso seja necessário, vai acionar um plano de contingência para manter os serviços essenciais e a operacionalidade dos aeroportos. Funcionários do quadro administrativo e que trabalham em regime de escala serão remanejados para reforçar as equipes nos horários de maior movimento. O plano envolve outros órgãos que atuam nos aeroportos: da Receita Federal e Polícia Federal.

A Infraero pretende aplicar este plano em caso de necessidade que, conforme disse, “inclui o remanejamento de empregados para reforçar as equipes nos horários de maior movimento de passageiros e aeronaves”.

Na tarde de quarta-feira encontrei um grupo de grevistas reunidos na sala do aeroporto Santos Dumont, e eis, aqui, o comentário de Massard que é ativista sindical:

– Nós somos funcionários da Infraero. Está certo? A Infraero vendeu três aeroportos muito rentáveis: Guarulhos, Campinas e Brasília. Então, agora você conhece o que é acordo coletivo de trabalho? Em maio a gente teve que renovar o acordo. Em março, em abril nós mandamos as nossas propostas, e até a semana passada a Infraero não se manifestou. Então, nós fizemos uma assembleia e demos indicativo de greve em todos os aeroportos, mesmo nesses três que te falei que foram vendidos. Aí, depois dessas assembleias ela chamou-se para negociar, só que ela só deu a inflação e a questão do plano de saúde ela botou em aberto porque acha que ela está gastando muito com o plano de saúde, porque se ela perder 30% da receita, mais ou menos isso, é lógico que ela não tem como bancar essas despesas, como bancava antes. Só que a culpa não é nossa: ela vendeu… provávelmente, quem comprou pegou dinheiro do BNDES para comprar uma empresa que é nossa. E agora a empresa quer que a gente pague o pato, porque ela vendeu os aeroportos rentáveis. E agora ela quer vender Galeão também, e vem a piorar mais ainda.

– E qual é o objetivo final da greve? Vocês acham que eles vão revogar essa decisão?

– O nosso objetivo é: mostrar a ela que os funcionários estão mobilizados e que não aceitam esse tipo de procedimento. Entendeu?

– Mas vocês, realmente, acham que é possível revogar?

– Acreditamos.

– Quantas pessoas vão participar da greve?

– Todos os aeroportos. Todos!

– Todos os 63, não é?

– Eu não sei se serão 63, agora são 63, não é? Eram 67… é 63. É porque foram vendidos os três.

– E todos os 15 mil sindicalizados pelo seu sindicato vão participar?

– Vão participar. É lógico que não estamos acostumados a movimentos grevistas. Então, por exemplo, a minha área que é navegação aérea, a gente está fazendo a operação pelo padrão, ou seja, está seguindo o que está escrito. Não estamos quebrando galho de ninguém. Mas se você observar hoje aqui, o movimento de aeronaves está muito fraco, porque o problema deu lá em São Paulo. Se dá um problema lá afeta tudo. Da mesma formal, quando ocorre um problema meteorológico em que o aeroporto fica fechado, isso dá problema nos outros também porque se o avião não chega aqui porque não consegue decolar de lá, quem estava aqui para decolar também não consegue ir, porque não chegou o avião…

– Então São Paulo está comandando a greve toda?

– É, lá teve uma adesão maior da greve. E aí, em função disso teve problemas dos outros.

– E quanto tempo vai durar essa greve?

– Não sei, não tenho ideia.

Alexei Lazarev
VOR/UNO

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