terça-feira, fevereiro 17, 2026

De diácono a artesão em Barra Velha

Barra Velha – Os moradores de Barra Velha e a comunidade católica local se acostumaram a ver Juarez Silva numa inspirada pregação religiosa e em ações de divulgação da mensagem cristã no município e no Estado. Diácono ordenado pela Igreja Católica, Juarez é uma das lideranças mais conhecidas da igreja em Barra Velha, e atua na Comunidade Imaculada Conceição, no bairro Vila Nova. Mas poucos conhecem outro perfil do diácono: o Juarez artesão.

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Desenvolto numa atividade que pratica desde os 12 anos de idade, Juarez produz um criativo artesanato com base num material bem conhecido no interior de Barra Velha e São João do Itaperiú: o cipó imbé, comumente encontrado em comunidades como o Rio Novo e Medeiros. A tradição foi aprendida com o conhecido e saudoso artesão Nezinho Caviquioli, no Itapocu, em Araquari, e resulta na produção de uma diversificada cestaria.

É o próprio Juarez que se embrenha nas matas da região para retirar o cipó, que segundo ele, deve ser “cortado no ponto”. O imbé é descascado, raspado, rachado e passado em uma forma de lata artesanal, para regular a bitola do cipó. “A gente escolhe a espessura dos fios, trabalhados nessa forma de lata”, detalha. Os fios do imbé ficam semelhantes à fiação elétrica, e a partir daí, inicia a confecção das cestas.

Juarez aperfeiçoou a técnica e foi além das cestarias. Hoje produz portas-canetas, barcos de pesca artesanal, cisnes, molduras de quadros e espelhos e tudo mais que a criatividade permitir. Segundo o diácono, o artesanato, entretanto, não é uma fonte de renda, mas um hobby, já que ele raramente vende as peças. “Eu demoro uma manhã, por exemplo, para fazer uma peça grande e bem trabalhada”, comenta. “Então, teria que cobrar bem, mas uma peça de artesanato não deve ser cara”, acrescenta.




Para não deixar a tradição acabar, ele já ensinou as técnicas do artesanato na extinta cadeia pública de Barra Velha, e atualmente mantém aulas gratuitas para uma turminha de crianças da localidade da Corveta, em Araquari, de forma voluntária. “Sei que estou passando a possibilidade de uma futura profissão e fonte de renda para eles”, observa. Ainda de acordo com Juarez, com 20 horas de aula já é possível assimilar a técnica básica. Só neste ano, ele já produziu mais de 50 peças – muitas delas doadas para sorteios de brindes em festas beneficentes ou da Igreja Católica.

Juvan Neto/UNOPress

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